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A ABCCA

PURO SANGUE ÁRABE

Origens

Embora não existam registros escritos que indiquem com absoluta precisão o seu início, sabe-se que a criação do cavalo árabe é a mais antiga da humanidade. Sua existência pode ser estimada em mais de três mil anos, a partir de desenhos de cavalos orientais em paredes de pedra e objetos de arte encontrados em países como Egito, Grécia e no Sudeste Asiático. Alguns exemplos são os baixos-relevos assírios abrigados no British Museum, em Londres, ou os registros hieroglíficos datados da época dos faraós Seth I (1.370 a.C.) e Ramsés II( 1.200 a.C) em seu retorno da batalha de Kadesh.

O mérito da seleção, do desenvolvimento e da preservação das características que fazem do cavalo árabe um animal ímpar até os nossos dias deveu-se às tribos nômades de beduínos na península árabe. Mais do que um mero animal de serviço, um bom cavalo significava para eles a diferença entre a vida ou a morte no deserto por meio do triunfo ou fracasso na guerra.

Submetidos às mais rigorosas condições climáticas, os cavalos árabes tiveram que se adaptar a toda sorte de privações, tais como a falta de água e comida, temperaturas elevadíssimas durante o dia e baixíssimas à noite e longas distâncias a serem percorridas em terrenos áridos.

Com o passar dos séculos, o poderio dos impérios e seus exércitos baseou-se cada vez mais na qualidade de seus cavalos. Pouco a pouco, a cavalaria ligeira dos orientais foi sobrepujando as pesadas europeias, que levavam armaduras e armas de manejo lento. Os guerreiros montados em “cavalos que voavam nos pés” tornaram-se famosos e muito temidos.
 Sucederam-se lutas entre assírios, persas e povos das estepes, no entorno do Mar Vermelho até o Egito, com o objetivo de obter esses animais em maior número possível.

Já em 632 DC, o cavalo árabe era a peça principal do poderoso exército de cavalaria mouro, rapidíssimo, sem equivalente. A Síria foi conquistada em 636, o Egito em 641, a Pérsia em 651, e, em 711, ao fim de uma incrível travessia pelo norte da África, a cavalaria militar islâmica entrou na Europa avançou em direção à Espanha e Portugal, para só mais tarde ser detida já no coração da França. Somente no século XVII, mais especificamente em 12 de setembro de 1683, o rei Jan III da Polônia, liderando os exércitos polaco-austro-alemães, conseguiu arrasar o cerco dos cavaleiros do Império Otomano comandado pelo grão-vizir Merzifonlu Kara Mustafa Pasha, que já ameaçava Viena.

A dominação moura desse período e as famosas cruzadas serviram para disseminar a superioridade dos animais de sangue oriental como aparato de combate.
Foi nesse cenário que os cavalos mais resistentes, inteligentes, versáteis e velozes conseguiram sobreviver, dando origem aos cavalos guerreiros que, com o passar dos séculos, saíram do deserto para conquistar a Europa e de lá, o resto do mundo.

Características da raça

De acordo com o studbook do cavalo Árabe, em sua última atualização datada de abril de 2019, são características da raça:


Esqueleto: em comparação com outras raças, possui o crânio relativamente curto, maxilar inferior fino, maior capacidade da caixa craniana, menor número de vértebras, osso pélvico mais horizontal. As calosidades dos membros anteriores são pequenas.


Cabeça: a parte superior da cabeça é maior em proporção ao volume do corpo do cavalo, especialmente em profundidade na direção das ganachas. Tem uma forma triangular que diminui rapidamente, para uma boca pequena e delicada, os lábios são finos e também delicados. As narinas longas, finas e abertas. A face é ligeiramente conchava abaixo dos olhos. Os olhos bem afastados e grandes estão mais no meio da cabeça dando bastante capacidade para o cérebro acima deles. A capacidade cerebral é ainda aumentada frequentemente por uma pequena protrusão na fronte que se estende até pouco abaixo dos olhos. As ganachas se afastam bastante da garganta permitindo que o animal respire sem dificuldades quando em galope. As orelhas, menores nos machos que nas fêmeas, são atesouradas, bem implantadas e de grande flexibilidade.


Pescoço: Longo, arqueado, leve, implantado alto e seguindo bem atrás da cernelha. A garganta larga e bem desenvolvida, flexível quando em descanso, bastante destacada do resto da cabeça. A cabeça se liga ao pescoço em um ângulo mais oblíquo do que nas outras raças.


Membros anteriores: a cernelha é alta e musculosa implantada bem atrás. Paletas longas, profundas, largas e fortes na base, mas leve nas pontas. Braço longo, oblíquo e musculoso. Antebraço largo no cotovelo, longo e musculoso. Joelhos grandes, quadrados e profundos. Canela curta, chata e seca, mostrando tendões fortes, boletos excepcionalmente grandes e bem marcados. Quartelas médias, em declive, muito elásticas e fortes. Cascos fortes, grandes, redondos, largos e baixos na parte de trás. Os membros devem ser paralelos de frente, retos de lado e os pés colocados em direção frontal.


Corpo: olhando-se de frente ou por trás, as costelas são arqueadas e bem aparentes. Tórax de grande capacidade. Dorso e lombo curtos devido a falta de uma vértebra dorso-lombar e ao angulo oblíquo do ombro. O corpo longo embaixo, com um abdômen baixo. A medida transversal do tórax (perímetro torácico) é igual ou ligeiramente maior que a vertical, isto é, altura do animal medindo da cernelha ao chão.


Membros posteriores: a garupa, na mesma altura que a cernelha, larga, longa em proporção e bem horizontal. Cauda de inserção alta, arqueada e levantada quando o animal se movimenta. Quartos longos, musculosos e um pouco estreitos, mostrando velocidade. Jarretes limpos, bem baixos, de grande tamanho e força. Quartelas médias, muito elásticas e fortes. Boleto grande. Cascos fortes, grandes, redondos, largos e baixos na parte de trás. Membros colocados em posição vertical diretamente sob os quartos traseiros e perpendiculares ao corpo.


Crina e cauda: longas e sedosas. Pelo espesso, fino, macio e sedoso.


Pelagens: castanha, alazã, tordilha e preta, todas elas com as respectivas variações, sendo admitidas também as pelagens baia e suas variações, pampa e pintada, excepcionalmente para os animais Cruza Árabe.


Altura: medida na cernelha, do animal adulto, vai de 1,40 m a 1,58 m, podendo passar para mais ou para menos.
Peso do animal adulto: de 340 a 460 quilos podendo variar para mais ou para menos.


Andar: passo e trote. Galope agradável, devido ao comprimento dos membros posteriores e sua elasticidade, também em passo rápido, com o pé posterior avançado bem além do anterior. Desenvolve um bom trote naturalmente.

CRUZA-ÁRABE

A raça Anglo-Árabe foi oficialmente criada na França, nos haras nacionais de Le Pin, em 1836, e alguns anos depois em Pompadour; embora hajam registros de animais desta raça já criados em 1750 na Normandia, pelo Duque de La Sarre.

O Anglo Árabe teve início oficial no Brasil com a inauguração do Stud Book da raça em 1970. Nesse ano, precisamente no dia 15 de outubro, quatro cavalos da criação de Aloysio de Andrade Faria do Haras Fortaleza foram registrados na Associação do Cavalo Árabe como cavalos da raça Anglo Árabe.

Mas o primeiro Anglo Árabe a nascer no país foi Jango, em 1948 na Coudelaria de Colina – SP. Ele era filho de Anglo Árabes importados da Hungria e produziu uma descendência fantástica de cavalos que foram selecionados para a utilização nas cavalarias do exército brasileiro.
 


O Anglo-Árabe é o resultado do cruzamento entre animais da raça puro sangue Árabe e puro sangue Inglês. Hoje em dia para um animal poder ser registrado no studbook da raça ele precisa ter um máximo de 75% e um mínimo de 25% de sangue Árabe, sem que necessariamente seu pai ou sua mãe sejam PSA, ou seja, além dessa alternativa, ele também pode ser filho de dois animais da raça Anglo-Árabe, desde que respeitada a concentração mínima acima mencionada.

Atualmente o Brasil conta com mais de quatro mil animais da raça devidamente registrados.

Hoje pode-se dizer que a criação brasileira já superou a sua fase inicial em que utilizava o cruzamento clássico direto entre o Puro Sangue Árabe com Puro Sangue Inglês.

Além da importação de animais da raça Anglo- Árabe de alta performance de países europeus, o passar das décadas tornou a seleção do anglo extremamente bem sucedida para a produção de animais de esporte, incluindo o hipismo clássico, hipismo rural, o adestramento e o CCE (concurso completo equestre). Tanto assim que o Anglo-Árabe tornou-se peça fundamental na gênese da raça Brasileiro de Hipismo (uma raça totalmente brasileira), a exemplo do que aconteceu na França com os animais Sela Franceses.

Alguns exemplos de animais de altíssima qualidade que se destacaram em eventos hípicos Nacionais e Internacionais através das décadas são: como os reconhecidíssimos Fidan NA e Bawani NA da equipe Pamcary; Urubadi , a égua Aronides multicampeã em provas de salto clássico; a égua Vizianne, campeã brasileira de laço de chifre; Crysanto e Kyoey campeões em hipismo rural; Michuí campeão em adestramento e Salimante campeão em CCE.

Anglo-Árabe

Desde que surgiu em solo europeu, o cavalo árabe foi cruzado com as com raças locais, emprestando-lhes sua distinção oriental, suas qualidades funcionais e seu extraordinário caráter, principalmente a partir de 1095 com o início das Cruzadas.

Na busca de melhorar as cavalarias, a infusão do sangue árabe foi decisiva no aparecimento de diversas raças na Europa, incluindo os Andaluzes na Espanha, os Orlov na Rússia e os Lipizzaners na Áustria. Contudo, é na origem dos notórios puro-sangue ingleses, os cavalos de corrida por excelência, que essa influência fica mais evidente.

Todos os cavalos de corrida do mundo inteiro são descendentes de quatro cavalos puro-sangue árabe:
• Darley Arabian, comprado em Alepo, na Síria, por Thomas Darley, em 1704, que gerou as linhagens Blanford, Phalaris, Gainsborough, Son in Law e Saint Simon;
• Byerley Turk, capturado pelo Capitão Robert Byerley durante o cerco a Buda contra o exército otomano em 1684, que gerou a linhagem Herod;
• Godolphin Arabian, nascido em 1724, no Iêmen, cujo nome surgiu por conta de seu proprietário Francis, segundo Conde de Godolphin. Fundou a linhagem Matcham;
• Alcock Arabian, também conhecido com Akaster Turk, foi comprado por Sir Robert Sutton em Constaninopla, entre os anos de 1700 e 1717, e exportado para o Reino Unido. É tido como o pai de todos os cavalos de corrida de pelagem tordilha.

O cavalo árabe é o grande raçador universal. Derivam deles muitas raças tais como: Quarto de milha, Morgan, Puro Sangue Inglês, Anglo árabe, Orloff, Percheron, Shagya, Lipizzaner, Sela Francês, Andaluz, Lusitano, Alter Real, Westphalen, Trakener e Hanoveriano, bem como raças desenvolvidas no Brasil tais como o Mangalarga e o Campolina.

Em cada uma destas raças a prepotência do sangue árabe é evidente, destacando-se muitas vezes pela sua resistência, outras por sua leveza, inteligência, estrutura ou beleza.

O termo cruza-árabe substituiu o que antes convencionava-se chamar de mestiço de sangue árabe. É uma designação que auxilia aqueles criadores que desejem registrar animais com sangue árabe (na proporção mínima de 50%, ou seja, pai ou mãe puro-sangue árabe) no registro, também conhecido como studbook, da ABCCA.

É constante o sucesso de animais cruza-árabe em diversas modalidades esportivas em todo mundo. A exemplo das provas de enduro, de hipismo rural, corridas, rédeas, provas de performance e adestramento.

A fim de fomentar e divulgar o êxito dos animais de sangue árabe montado, foi criada em 2011 a ANCAF, Associação Nacional do Cavalo Árabe Funcional. A ANCAF atua em todo território brasileiro expandindo a cada ano seu calendário de eventos e atraindo novos interessados, inclusive com premiações em dinheiro para suas provas, além de diversos incentivos.

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